19 fevereiro 2008

hoje a memória do ontem. (4h e meia - meia-noite)

como é recorrente as manhosas postagens que são expostas no blog falam dum tema qualquer, embora seja em grande parte palermices nada felizes.
enfim, acho que pela primeira vez vou falar de coisas normais.
falar só.
aliás: escrever.
hoje, dia dezoito, foi um dia um pouco atipico. choveu. choveu e choveu bem, principalmente durante a noite. não dei por nada. que espanto.
portanto, hoje nada fiz, férias são férias e férias são para fazer o que quisermos.
ontem, foi bom.
dpois de um fim de semana de provas de natação onde tudo correu mal, como tem sido costume nos últimos tempos. o que vale é que mandei mensagem à vvv. às quatro e meia (willow will you weep for me - lionel hampton) estavamos na avenidade de igreja. a chuva já caia. de all star vermelhos, calças de ganga, casaco forrado e um gorro mui sveet vermelho enfiado no meio do emaranhado capilar que a minha africana favorita transporta; (: vvv caminhava à minha beira até o meu humilde casebre. foi rápida a visita ao número 52. saimos a decidir as nossas vidas e apanhamos o 45.
restauradores.
voltitas.
rossio.
que fazer?
rua dos fanqueiros por ali fora.
rua da conceição. subir da madalena até alfama.(take five - dave brubeck)
os eléctricos subiam e desciam.
miradouro de santa luzia. quanto tempo? talvez vinte, trinta minutos. primeiros desaforos "ai a máquina de fotografar". a luz já descia e o céu não existiam. só nuvens. carregadas e espessas. limbos imponentes (my old flame - charlie parker). a chuva ia caindo mas o chapéu da vvv estava fechado. a vista? (procuro palavras, a vvv descreveria muito bem, aposto). o tejo estava maior, mal se destinguia as terras da outra banda. lisboa, a única, estava ali, talvez mais linda do que nunca. santa apolónia, graça, castelo, terreiro do paço, cais do sodré, a ponte mal se divisava.
'bora de eléctrico? hep. 28 até ao camões. rua garrett por ali abaixo. chiado à vista.
"bem, não fazia parte dos meus planos entrar num centro comercial, mas um gelado já marchava...". (ruby my dear - thelonious monk e angel face - coleman hawkins, entretanto).
a chovia agora caia com toda a força... procura-se abrigo num toldo duma entrada dum prédio. o gelado soube bem a ver a chuva assim mesmo ali perto e incolume para nós. findada a espécie de acepipe, marchavamos rua a cima, desta vez protegidos pelo ombrella farmácia famões (:
rua do alecrim acima.
rua da mesiricórdia.
jardim de são pedro de alcantara, por alguns conhecido como o "miradouro da graça" (: mais uma vez lisboa ali tão perto. e a chuva e o vento a fustigar. mas a atenção estava só para os pormenores (big deal - charlie ventura e laura - erroll garner): para os candeeiros, para as árvores. só nós ali. era só nossa a vista. os restauradores, a liberdade, a mouraria, campo sant'ana, estefânia...
descer até ao principe real. ombrella a berto, protecção garantida. ténis a rasgarem-se. praça da alegria. liberdade. apanhar 45 na praça do 1 de dezembro. (time on my hands - oscar peterson e i can't escape from you - dexter gordon).
embalados iamos, contava histórias e ninharias sobre o que viamos.
campo pequeno.
joão xxi.
roma-cinema londre = barrete.
outra vez a pé pela av de roma. a conversa fluia. os pés ensopados, as calças todas enxarcadas, mas nada incomodava. agora que falo nisso, apercebo-me. nada incomodou. a chuva estava até boa, e nós ali receptivos. praça d'alvalade. número 52, outra vez.
meias quentes.
sopa quente. (my blue heaven - artie shaw)
mano bazofes. música reles mtv e toques fanfarrões na bola.
"queres ajuda na loiça?".
já sem o gorro húmido (basin street blues - ella fitzerald) a candy africó-vvv achava-se de pé. (: caladinha.
filme?
sim.
olha esqueceu-se-me das pipócas. que falha.
uma hora e quarenta depois o adeus.
metade não foi dito, metade fica na nossa "memória fotográfica". as luzes de lisboa estavam lindas, desabafo.
dentro do eléctrico então...
a baixa foi quase só nossa. não se pode ser imbejoso.
e o tejo? e as luzes do outro lado.
os barcos.
a cacimba.
o cabelo enorme afro da vvv. os oclinhos rectangulares.
(yard bird suite - miles davis e autumn leaves - stan getz)



e se não tivessemos saido?

lisboa.
eu.
vvv.

lisboa,19 fevereiro 2008, 0:50

6 comentários:

V. disse...

- banda sonora.
- um sítio de redemoinhos de gente quase vazio (e à chuva)
- o barulho daqueles comboios da cidade
- o splash inoportuno em cada passo
- a cor daquele céu por detrás do candeeiro e das árvores despidas à Outono...

hmm. esperemos que a memória funcione.


e se não tivessemos saído?

cidade de poetas perdidos. a lisboa do nosso tempo.

*

. disse...

sempre muto bem faladoira a vae (vvv). obrigado pela companhia, duda. you rock!

os poetas são sempre perdidos, esquecidos no seu tempo. talvez assim até tenha mais piada. é inglório mas pronto... tu vais ser reconhecida (=

. disse...

ah e outra coisa, não consigo aceder ao teu blog. já sinto saudades dos teus desaforos intelectuais e subjectivos

V. disse...

claro que assim tem mais piada. nós é que descobrimos o que foi dito. dizes tu que não gostas do tempo. pode ser cruel, mas é a única certeza que temos. que passa. :)

home of the free, land of the brave.

vou ser reconhecida por dizer palermices em público e outras coisas que tais.

. disse...

não é só o tempo que passa...

auva também passa. (=
urso!!!

V. disse...

ao menos numa coisa concordamos... :)