além, no promontório, corre um fio de prata.
desce até ao mar. vertiginosa e obediente. ao longe cresce um remoinho negro que levanta a areia da praia. sobe até às nuvens e desce até prefurar o oceano. no cavaleiro da dinamarca, ele viaja de barco até a um porto numa terra longínqua e desconhecida. é a lenda duma família. hoje aqui, depois de tanto olhar, depois de tanto pó acente, cuido que a minha visão não se alterou. o fio de prata ainda ali está e o céu está mais longe, apesar disso. depois, enterro os pés na areia, afundo-os até sentir que não dá mais. uma onda vem e vem tingida de cinzento. molha-me até ao osso. agora falando a sério, os meus cabelos estão mais negros e lisos e as minhas mãos mais calejadas. já não corro, já não reparo nos outros. canso-me com mais facilidade da munificiência. enfim, mais um dia desencontrado. e continuo a sentir o mesmo por ti.
31 março 2009
30 março 2009
lá em baixo.
"toda a gente passou horas em que andou desencontrado"
olhou para cima em direcção ao candeeiro frio e o feixe luminoso da luz amarela pouco mais deixou vislumbrar para além da sua cor cadavérica. sobreposta à luz luzia negrume nocturno dum céu despido. toda a gente passa horas desencontradas. nem sentiu o trepido movimento ao seu redor dos carros e o incêndio de barulhos habituais da metrópolis. lá ao fundo jazia de pé uma mulher na paragem do autocarro.
mais tarde já em casa com ela ao seu lado, na cama, suspirou fundamente. olhou pela janela e viu a praça com as sombras de quem ainda passava, viu a melancolia tépida das árvores, a conformidade presa aos bancos de madeira pregados ao chão desde sempre, a bonança de espirito esquálido do burburinho do vento a passar na ranhura da janela, a monótona reverberação dos passos surdos de quem não vem. revia-se nisto tudo. o burgo ainda ali estava plantado quando voltou a olhá-lo. lá ao fundo, no rio, um barco rasgava a água rumo à LUZ. acompanhou, com o olhar, a embarcação até se envolver no catre languido. "ninguém me deita a mão, de verdade."
acordou-a.
recomeçou.
"toda a gente passou horas onde andou desencontrado"
olhou para cima em direcção ao candeeiro frio e o feixe luminoso da luz amarela pouco mais deixou vislumbrar para além da sua cor cadavérica. sobreposta à luz luzia negrume nocturno dum céu despido. toda a gente passa horas desencontradas. nem sentiu o trepido movimento ao seu redor dos carros e o incêndio de barulhos habituais da metrópolis. lá ao fundo jazia de pé uma mulher na paragem do autocarro.
mais tarde já em casa com ela ao seu lado, na cama, suspirou fundamente. olhou pela janela e viu a praça com as sombras de quem ainda passava, viu a melancolia tépida das árvores, a conformidade presa aos bancos de madeira pregados ao chão desde sempre, a bonança de espirito esquálido do burburinho do vento a passar na ranhura da janela, a monótona reverberação dos passos surdos de quem não vem. revia-se nisto tudo. o burgo ainda ali estava plantado quando voltou a olhá-lo. lá ao fundo, no rio, um barco rasgava a água rumo à LUZ. acompanhou, com o olhar, a embarcação até se envolver no catre languido. "ninguém me deita a mão, de verdade."
acordou-a.
recomeçou.
"toda a gente passou horas onde andou desencontrado"
29 março 2009
frenesy
já vos disse que li o animal farm do george orwell na biblioteca e que nunca mais acabo o papillon? pronto.
e agora a ouvir dizzy gillespie (----oopsy daisy----- já vai no senhor benny goodman) deu-me vontade de ver uma fita do woody allen.
enfim, para além de me levantar ÀS 6 e picos para o trabuco, agora tenho aulas até às dez da noite. despediram duzentas e tal pessoas no meu trabalho. quando será a minha vez? não percam o próximo episódio.
adeus, meninos.
e agora a ouvir dizzy gillespie (----oopsy daisy----- já vai no senhor benny goodman) deu-me vontade de ver uma fita do woody allen.
enfim, para além de me levantar ÀS 6 e picos para o trabuco, agora tenho aulas até às dez da noite. despediram duzentas e tal pessoas no meu trabalho. quando será a minha vez? não percam o próximo episódio.
adeus, meninos.
15 março 2009
"you got a killer scene there, man"
a vida é:
nestas duas últimas semanas de aula contabilizei mais presenças que em todo o primeiro semestre - duas aulas de sociologia na comunicação e uma de uma cadeira do qual o nome não borbulha, por ora, no veio pensatório vs. duas aulas de russo. Voltei, pese embora, que bem devagarinho. há que agarrar o toiro pelos cornos, mas com capacete, joalheiras e forros nas mãos. amei esta alegoria. e amo o facto que amar o conteúdo insípido do que escrevo.
mais:
medo de ser corrido do emprego a qualquer hora. medo de não arranajar outro. e medo de, se arranjar, não estar ao nível monetário do anteior. medo do que aí vem: fazer descontos para a SS.
um pouco mais:
feriados de junho irão ser aproveitados para onde? londres, zagreb ou para andar pela áustria?
lina, vens a drave?? sim? camping?
nestas duas últimas semanas de aula contabilizei mais presenças que em todo o primeiro semestre - duas aulas de sociologia na comunicação e uma de uma cadeira do qual o nome não borbulha, por ora, no veio pensatório vs. duas aulas de russo. Voltei, pese embora, que bem devagarinho. há que agarrar o toiro pelos cornos, mas com capacete, joalheiras e forros nas mãos. amei esta alegoria. e amo o facto que amar o conteúdo insípido do que escrevo.
mais:
medo de ser corrido do emprego a qualquer hora. medo de não arranajar outro. e medo de, se arranjar, não estar ao nível monetário do anteior. medo do que aí vem: fazer descontos para a SS.
um pouco mais:
feriados de junho irão ser aproveitados para onde? londres, zagreb ou para andar pela áustria?
lina, vens a drave?? sim? camping?
10 março 2009
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